Escolhas da vida

Suponha que lhe aconteceu, o que me aconteceu. Recebi da Espanha um chaveiro de metal.
Já era importante por ser um presente.
Percebendo o peso e a cor, conclui sem pestanejar: É de prata!
Feliz da vida coloquei nele as chaves do meu carro e passei a desfrutar da pequena jóia.
Acresce que, além do lado liso e brilhante, o outro lado trazia um baixo relevo, que a tornava verdadeira obra de arte.
O prazer com que passei a usá-lo está na origem do que vim a sentir, meses depois.
Certa manhã fui pegar o chaveirinho de prata na garagem do meu prédio.
Sabe, a necessidade de manobras… E foi então que recebi o choque..
Custei a me recuperar.
Não havia sido roubado, não! Talvez tenha sido pior.
A parte de trás estava inexplicavelmente des-cas-ca-da!
O amarelo vivo do latão, metal amarelo, acusava uma decepção.
O desapontamento tomou conta de mim.
Fiquei paralisado por alguns momentos.
Aí olhei o lado da frente.
Estava em ordem.
Tive, então, um estalo.
Olhar o lado descascado me causava desprazer, mas eu podia olhar o da frente e continuar gostando dele.
A escolha era minha.
Eu era responsável por me sentir bem ou me sentir mal.
Já que os dois lados eram reais, seria tão honesto preferir olhar mais um lado a outro.
Eu não estaria mentindo para mim mesmo, se preferisse olhar o lado bem conservado; e me tornaria responsável por me sentir bem.
Comecei a perceber, então, que todas as coisas da vida têm dois lados.
Um lado sombrio, desagradável, penoso.
E outro, claro, luminoso, colorido.
Podia assim escolher, para vantagem minha, o lado que me conservaria sempre no melhor astral.
Por exemplo, o fato de ter furado o pneu do carro, coisa desagradável, é o lado sombrio; mas, pensando bem, isso só acontece com que tem carro. É o lado luminoso e colorido do mesmíssimo fato.
Você pode se dar ao luxo de ter de trocar o pneu de seu carro de vez em quando, pois, em contrapartida, ele lhe dá prazer e lhe presta serviço no resto do tempo.
Outro exemplo.
Uma chuva inesperada impede você e sua família de saírem para um piquenique, como haviam planejado. É o lado sombrio.
Mas, em compensação, você poderá ter tempo em casa, finalmente, para arrumar aquela torneira pingando ou para assistir a um filme, há muito esperado, no seu vídeo-cassete.
Pode ser o lado luminoso.
Ou, ainda, alguém sofre um pequeno acidente ou contrai uma febre, ficando obrigado a ficar de cama. É o lado sombrio.
O lado luminoso, e quantas vezes acontecido, pode ser a experiência de repensar a vida; ou a de cair na conta finalmente de quanto é estimado e visitado pelos parentes e amigos, apesar de ter tido dúvidas, até então.
Um último exemplo.
Seu patrão lhe chama a atenção com freqüência, seus colegas de trabalho costumam ser competitivos e pouco amigos. É o lado sombrio.
Você não se vai acomodar, é claro.
Vai tomar providências cabíveis para que a situação melhore.
Mas, por outro lado, você tem emprego, o que não é para se minimizar.
Quantos gostariam de ter um.
Você poderia objetar em primeiro lugar: Mas, esse não é o jogo da Polyanna?
Não é o mesmo que mentir para si mesmo e fazer de conta, como quem esconde o sol com a peneira?
Desde o início pode ter ficado claro que olhar qualquer dos lados é honesto, e que você é responsável pelo lado que prefere fixar.
Olhando o lado bonito da vida, não está escondendo nada, apenas está preferindo ser feliz. Qual é o mal?
Você ainda poderia dizer: Mas isso é tão difícil!
Será que alguém consegue pensar assim? Eu lhe garanto que é possível.
Vamos concordar também que é difícil. Ora!
O que não é difícil, quando enfrentado pela primeira vez?
Digitar numa máquina de escrever, dirigir um carro, aprender língua estrangeira, escrever corretamente o português, fazer tricô e qualquer outra coisa no mundo.
Entretanto, seja o que for, você consegue dominar, com duas condições: ter a receita correta e treinar com perseverança.
Então, você também pode descobrir o lado colorido e mais real da sua vida.
Nada o impede.

Colaboração: Renato A. O.

SOLTE A PANELA

Certa vez, um urso faminto perambulava pela floresta em busca de alimento. A época era de escassez, porém, seu faro aguçado sentiu o cheiro de comida e o conduziu a um acampamento de caçadores. Ao chegar lá, o urso, percebendo que o acampamento estava vazio, foi até a fogueira, ardendo em brasas, e dela tirou um panelão de comida. Quando a tina já estava fora da fogueira, o urso a abraçou com toda sua força e enfiou a cabeça dentro dela, devorando tudo. Enquanto abraçava a panela, começou a perceber algo lhe atingindo. Na verdade, era o calor da tina…Ele estava sendo queimado nas patas, no peito e por onde mais apanela encostava.O urso nunca havia experimentado aquela sensação e, então, interpretou as queimaduras pelo seu corpo como uma coisa que queria lhe tirar a comida. Começou a urrar muito alto. E, quanto mais alto rugia, mais apertava a panela quente contra seu imenso corpo. Quanto mais a tina quente lhe queimava, mais ele apertava contra o seu corpo e mais alto ainda rugia. Quando os caçadores chegaram ao acampamento, encontraram o urso recostado a uma árvore próxima à fogueira, segurando a tina de comida. O urso tinha tantas queimaduras que o fizeram grudar na panela e, seu imenso corpo, mesmo morto, ainda mantinha a expressão de estar rugindo.
Quando terminei de ouvir esta história de um mestre, percebi que, em nossa vida, por muitas vezes, abraçamos certas coisas que julgamos ser importantes. Algumas delas nos fazem gemer de dor, nos queimam por fora e por dentro, e mesmo assim, ainda as julgamos importantes. Temos medo de abandoná-las e esse medo nos coloca numa situação de sofrimento, de desespero. Apertamos essas coisas contra nossos corações e terminamos derrotados por algo que tanto protegemos, acreditamos e defendemos. Para que tudo dê certo em sua vida, é necessário reconhecer, em certos momentos, que nem sempre o que parece salvação vai lhe dar condições de prosseguir. Tenha a coragem e a visão que o urso não teve. Tire de seu caminho tudo aquilo que faz seu coração arder.
Solte a panela!

Em busca da essência

Compreender a Alma humana é das coisas mais difícieis que se pode tentar. Mas é maravilhoso aventurar-se nestes caminhos.
Quando falamos em Alma devemos pensar automaticamente em Sentimentos. Não há como desatrelar as duas coisas. É o que está em nossa essência.
Sendo os sentimentos uma manifestação subjetiva surge aí a dificuldade de compreensão dos fatos. Então, naturalmente, surgem auto-questionamentos, dúvidas e dificuldades de aceitação.
Todos adoecemos, ou estamos sujeitos. Não somos máquinas infalíveis.
Podemos sofrer de micoses, artroses, artrites, gastrites. Quem sabe problemas no fígado, pâncreas e rins. Ou ainda, bronquite, hipertensão arterial, diabetes, enfim, do corpo, males em geral.Então, porque seria justamente o nosso cérebro um órgão privilegiado?? Antes fosse, assim não existiria um Mal de Parkinson, Alzheimer ou tantos outros quadros que tornam o indivíduo demenciado. Epilepsias, AVCs, Coréias e outras doenças neurológicas, enfim, acometem o indivíduo, causando sofrimento e sem possibilidades de se questionar tratamento.
Enfim, surge o lado cruel. Adoece-se na alma. Os sentimentos tornam-se confusos. Surgem emoções que nos aprisionam.
Sofremos?? Sem dúvida!! Talvez, ou, com certeza, na mente adoecer, não traz paralelos de sofrimento.
Mas, então, reflitamos como devemos cuidar de nosso corpo e mente.

Não tenha medos ou receios. Procure esclarecer o que se passa. Se não hover empatia pelo primeiro profissional, o que é normal, ouça a opinião de outro.
Mais importante do que rotulações é o tratamento, medicamentoso e/ou psicoterápico, não tenha dúvidas desse seguimento.

SENTIMENTOS ESTAGNADOS

Um grande carro de luxo parou diante do pequeno escritório à entrada do cemitério e o chofer, uniformizado, dirigiu-se ao vigia.

— Você pode acompanhar-me, por favor? É que minha patroa está doente e não pode andar, explicou. Quer ter a bondade de vir falar com ela?

Uma senhora de idade, cujos olhos fundos não podiam ocultar o profundo sofrimento, esperava no carro.

— Nestes últimos dois anos mandei-lhe cinco dólares por semana.

— Para as flores, lembrou o vigia.

— Justamente. Para que fossem colocadas na sepultura de meu filho.

— Vim aqui hoje, disse um tanto consternada, porque os médicos me avisaramque tenho pouco tempo de vida. Então quis vir até aqui para uma última visita e para lhe agradecer.

O funcionário teve um momento de hesitação, mas depois falou com delicadeza:

— Sabe, minha senhora, eu sempre lamentei que continuasse mandando o dinheiro para as flores.

— Como assim? Perguntou a senhora.

— É que… A senhora sabe… As flores duram tão pouco tempo, e afinal, aqui, ninguém as vê…

— O senhor sabe o que está dizendo? Retrucou a senhora.

— Sei, sim minha senhora. Pertenço a uma associação de serviço social, cujos membros visitam os hospitais e os asilos. Lá, sim, é que as flores fazem muita falta. Os internados podem vê-las e apreciar seu perfume.

A senhora deixou-se ficar em silêncio por alguns segundos. Depois, sem dizer uma palavra, fez um sinal ao chofer para que partissem.

Apenas alguns meses depois, o vigia foi surpreendido por outra visita. Duplamente surpreendido porque, desta vez, era a própria senhora que vinha guiando o carro.

— Agora eu mesma levo as flores aos doentes, explicou-lhe, com um sorriso amável. O senhor tem razão. Os enfermos ficam radiantes e faz com que eu me sinta feliz. Os médicos não sabem a razão da minha cura, mas eu sei: é que eu reencontrei motivos para viver. Não esqueci meu filho, pelo contrário, dou as flores em seu nome e isso me dá forças.

Esta senhora descobrira o que quase todos não ignoramos, mas muitas vezes esquecemos. Auxiliando os outros, conseguirá auxiliar-se a si próprio.

Sentimentos estagnados, nunca expressados ou mal resolvidos, ficam guardados, somatizando em nosso corpo a angústia, tristeza, dores, raiva, hostilidade, amargura, isolamento, resignação e, muitas vezes, a pior de todas as emoções perniciosas: autocomiseração. Esses sentimentos nos tornarão pessimistas, sem energia, roubando nossos sonhos, nossa sensibilidade.
Ficamos indisponíveis para a vida.
Passa-se a viver cada minuto desdenhado, amargo, imerso nas vicissitudes.
A vida é aprendizado, evolução, dinâmica irrefreável e é inaceitável mergulhar na pequenez autocomplacente. Quando estancamos nossos pensamentos e sentimentos em um episódio ou determinadas circunstâncias passadas, aprisionamos nossa alma.
Rompa a inércia, e sinta novamente a vibração da vida, de forma mais madura, mais consciente. Rasgue o véu que te sufoca e encare suas frustrações.

Infine,
Respirare la vita di più, hanno più piacere, i sentimenti vivi, alimenti la tua anima.

PODER PESSOAL

Temerosos de que os homens se igualassem aos próprios habitantes do Olimpo, os deuses da Grécia antiga realizaram uma longa reunião para decidir a maneira mais adequada de manter os humanos sem a consciência de seu próprio potencial.
Várias foram as propostas. Houve quem pensou em esconder o potencial humano nos indevassáveis abismos dos oceanos, mas este foi lembrado que, no futuro, o homem penetraria o mais profundo dos mares.
Outro propôs ocultar este potencial nas mais altas montanhas da Terra, mas tal proposta não foi aceita, porque o homem, em um dia não muito distante, alcançaria os mais elevados picos.
Outro sugeriu esconder tal riqueza humana na Lua, mas logo todos se deram conta de que o homem iria habitá-la no futuro.
Por fim, todos aceitaram uma estranha proposta: o potencial humano deveria ser escondido dentro do próprio homem.
De acordo com tal resolução, Zeus, dono da palavra final, disse:
– O homem é tão distraído e tão voltado para fora de si que nunca pensará em encontrar seu potencial máximo dentro do seu próprio ser.
E assim o ser humano age, de forma geral, sem encontrar o potencial dentro de si. Perde-se em inseguranças, medos, sentindo-se fracassado e incapaz de vencer os obstáculos que surgem.

Aprenda de uma forma eficaz a ultrapassar cada desafio que a vida lhe oferece.
Risque o vocábulo “talvez” de sua vida. Pensamentos positivos podem não resolver tudo, mas são aliados poderosos nas circunstâncias cotidianas.
Tenha mais emoção em sua vida. Correr riscos em pequenas doses dá maior prazer à vida. Cada vez que estes riscos são ultrapassados a sensação é de uma nova vitória.
Jamais tente ser o que esperam que seja. Cada pessoa é diferente da outra, tem as suas próprias características, vontades e dificuldades. Não se compare a ninguém, nem imite modelos. Seja você, o tempo inteiro.
Valorize o que pensa. Reforce a confiança naquilo que acredita e nas suas decisões.

Comece agora mesmo, procure dentro de si o que há de melhor e coloque para fora.

Persévérance

Baseado e adaptado do livro de James Fenimore Cooper o filme “O Último dos Moicanos” é uma obra que retrata batalhas durante a guerra dos sete anos entre ingleses e franceses.

Mais do que isso, é uma bela obra, que desperta Sentimentos. Trata da solidariedade e perseverança vivida por um grupo de pessoas de origens bastante diferentes durante o processo de formação dos Estados Unidos da América no século XVIII. Duas jovens precisam atravessar o território americano dominado pelos franceses, durante a Guerra dos Sete Anos. Para tanto, contam com a companhia de um oficial inglês, dois índios ( pai e filho ) e um homem “branco” criado por essa tribo. Esses dois índios moicanos são os últimos representantes de valorosa tribo e sua dignidade irá influenciar os rumos da trama. Caminhando por paisagens inóspitas, eles vão descobrir o que há de mais selvagem e mais civilizado nas próprias relações humanas.

Desde a concepção e crescimento no útero materno, a vida trava batalhas e desafios. Tornar-se um ser, crescer e sobreviver, até mesmo ao nascimento, é o nosso primeiro desafio de persistência.
Engatinhar exige esforço, vontade, querer ir a algum lugar.
Caminhar exige equilíbrio, duramente conseguido para dar o primeiro passo, onde a coragem para encarar esse desafio é preponderante.
Correr, andar de bicicleta ou patins são apenas alguns exemplos de aprendizagens em nossa vida. No início não sabemos como fazer, mas a perseverança e vontade de aprender nos levam ao caminho desejado.
Há que se considerar que o principal fator para transformações, perseverança, coragem ou qualquer tipo de sentimento está no próprio indivíduo. Sua capacidade única de enxergar cada situação e agir positivamente sobre ela. Viktor Frankl ( psiquiatra judeu ) que foi preso pelos nazistas na segunda guerra mundial e sobreviveu ao holocausto, afirma: “a vida, potencialmente, tem um sentido em quaisquer circunstâncias, mesmo nas mais miseráveis. E isso, por sua vez, pressupõe a capacidade humana de transformar criativamente os aspectos negativos da vida em algo positivo ou construtivo”.
Há pessoas que reclamam do mundo por acreditar que são vítimas dos acontecimentos. Há outros que transformam os obstáculos em estímulos para se tornarem melhores. O que diferencia os bem sucedidos dos medíocres é, em grande parte, a capacidade de olhar criticamente o mundo que o cerca, tomar decisões sabendo dos possíveis riscos e agir com perseverança e coragem para mudar o rumo quando necessário.